Foto: Robert Vitulano.

Há cerca de seis meses o meu companheiro de há mais de um par de anos fez uma declaração que caiu que nem uma bomba na minha vida: “Não sei viver com uma mulher que viaja. Sua ausência e a incerteza de não saber quando volta criae uma instabilidade que não consigo suportar”.

Acreditando que o amor tudo vence e ocupando ele o papel de um dos homens mais importantes da minha vida, cheguei a ponderar a hipótese de mudar a minha natureza, me adaptando a uma realidade que cedo percebi ser impossível de encaixar na minha forma de vida.

A relação acabou pouco tempo depois. Saí de casa com o coração despedaçado, pensando que se viajar nos torna mais sábios, então eu tinha recursos suficientes para passar por esse momento difícil.

Depois do choque inicial e pensando com mais clareza, descobri quatro grandes vantagens de se ser viajante para a cura de um coração despedaçado:

1. Toda a viagem tem um fim.
Sempre que partimos sabemos que teremos de voltar. Se não para casa, para outro lado qualquer. Nada é permanente. Nem a mágoa, a culpa ou a raiva. Assim como uma viagem que corre menos bem, aceitar a tristeza com a certeza de que também ela vai passar ajuda a tornar o período de luto da relação menos doloroso.

2. Entrar no trem errado, no ônibus em sentido inverso, sair na estação de metro errada: acontece.
Muitas vezes esses enganos são aquilo que nos leva a conhecer locais surpreendentes. Quando uma relação termina é comum nos culparmos. Mas a verdade é que houve um momento em que amamos uma pessoa e ao invés de lamentar aquilo que não temos, podemos refletir sobre o que aquela relação nos trouxe de bom.

3. Quando estamos completamente perdidos, o melhor é pedir ajuda.
Me perco com facilidade em minhas viagens. A experiência ensinou que chega um momento em que é melhor pedir informações do que me colocar em situações perigosas. O final de uma relação pode ser tremendamente doloroso. Tal como quando nos perdemos isso não é sinal de fraqueza, mas sim de que somos humanos. Se pedirmos ajuda, descobrimos que temos amigos que farão tudo para nos confortar. Às vezes, só a presença de uma boa companhia torna a caminhada muito mais fácil.

4. Mesmo quando tudo vai mal, dá para tirar boas fotos.
Nem que sejam apenas aquelas que partilhamos no Instagram e Facebook. Não acredito que existam relações sem boas memórias. Preservemos essas. Porque são elas que nos vão ajudar a perdoar.

5. Se nada funcionar, pegue um avião para o próximo destino.
Afinal viajar é uma grande paixão! Foi por não conseguir traí-la que a minha relação acabou. Foi ela que me ensinou que quem não me ama como eu sou talvez não me ame de verdade. E o fim foi apenas uma forma de o destino me repor no caminho certo.

Resta-me aceitar, perdoar e agradecer enquanto respiro fundo e aperto o cinto para a aterragem em Istambul.

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