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1. É difícil explicar o conceito de “backpacking” para sua família.

Antes de começar minha viagem pela América do Sul decidi parar em Quito, no Equador, para visitar parte da minha família distante. Quando cheguei usando um jeans velho e camiseta com manchas de terra, cabelo opaco e sujo, meus parentes distantes ficaram preocupados. Para muitas famílias latinas, viajar significa luxo e conforto, não uma forma barata de conhecer lugares exóticos. A ênfase na aparência pessoal faz com que a idéia de “ralar” por um ano ao redor do mundo tenha pouco sentido.

2. Você sente culpa por sacrificar tempo com a família para viajar.

Eu pude sentir a decepção dos meus pais quando informei que não estaria em casa para o Natal. E durante a festa de Natal no hostel, enquanto mochileiros de várias partes do mundo comemoravam com drinks no pátio, eu era a viajante solitária no Skype com minha família usando o computador da sala. Para família como a minha, que passam todos os feriados juntos e não aceitam desculpas, escolher estar longe é uma decisão difícil e cheia de culpa.

3. Às vezes você consegue passar por local.

Minha pele marrom chama a atenção nos EUA, mas faz com que eu passe despercebida em muitos outros lugares. Na Tailândia, por exemplo. Ou na África do Sul. Enquanto muitos viajantes de pele clara são perseguidos insistentemente por vendedores e têm dificuldade para interagir com as pessoas, latinos não são sempre imediatamente percebidos como turistas. Já ouvi mais de uma vez sobre minha “ambiguidade étnica” e pra mim o fato de não ser imediatamente rotulada como estrangeira é uma vantagem.

4. Viajar pela América Latina é como reencontrar seu lar.

Depois de tantos momentos nos EUA me sentindo isolada pela minha herança latino-americana, viajar por um continente e cultura familiares foi uma experiência incrível. Em seu ensaio “Traveling While Black”, a escritora negra Farai Chideya descreve suas visitas ao continente africano como “um processo de cura, em que você retoma parte de sua alma”. Para o viajante latino explorar as Américas Latina e e Sul tem o mesmo efeito. A experiência reafirmou sentimentos que nunca encontraram lugar nos EUA: o senso de obrigação perante a família, devoção espiritual e religiosa, ênfase na comunidade e um ritmo de vida mais lento. Viver essa cultura em primeira mão, em sua fonte, me fez encontrar uma parte de mim que nos EUA nunca pude reconhecer.

5. Você está sempre tendo que explicar que é “americano/a”.

E nessa conexão profunda com a América Latina fica difícil explicar o quanto sou essencialmente norte-americana. Viajantes com passaporte dos EUA e herança racial e cultural complexa negam o estereótipo que as pessoas carregam em relação ao “americano”. Durante minhas viagens, as pessoas assumiam que “americano” significava simplesmente “branco”. O termo “latino” causa confusão, mesmo que eu possa falar espanhol sem sotaque e tenha parentes na América latina. Minha identidade latina não existe fora dos EUA. Viajar me forçou tentar explicar o que essa identidade, ainda que difícil de definir e invisível fora do país, significa para mim. E respondendo perguntas sobre raça, família, cultura e experiência latina nos EUA, nós latinos podemos mostram o quão ampla é a identidade “americana”.

6. Você percebe que viajar deveria ser parte do American Dream.

Eu vim de uma família que trabalhou a vida toda tentando alcançar a idéia convencional de sucesso nos EUA. O plano de gastar minhas economias não numa casa ou carro, mas “tirando um tempo para viajar” era difícil de justificar. Quando eu finalmente consegui a estabilidade necessária que minha família batalhou tanto para alcançar, parecia quase desrespeitoso “jogar tudo fora” em um ano de mochila pelo mundo. Com essa ansiedade na cabeça, temos que refazer a idéia do que viajar significa na cultura norte-americana.

7. Mas você sabe que a oportunidade de conhecer o mundo tem tudo a ver com o American Dream.

Paradoxalmente, é por causa de suas famílias que tantos latinos querem tanto viajar. Com o tempo, percebi que as “oportunidades” pelas quais que minha família batalhava tanto não estavam confinadas apenas à educação, emprego, seguro saúde. Também podiam significar a chance de perseguir meus próprios interesses. Por essa perspectiva, viajar parece a idéia de liberdade tão cara ao sonho americano.

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