Foto da capa: Guarda do Embaú por Rodrigo Soldon.

Quando o assunto é Réveillon, os gostos tendem para os extremos. Há quem não abra mão das festas lotadas e que mergulham madrugada adentro, assim como existe sempre aquele amigo mais tranquilo, apegado a Anos Novos recebidos em praias desertas ou recantos tão sossegados quanto. Mas e quando você já experimentou ambas as opções, e sente que o Brasil tem algo mais a oferecer? Depois de ter testemunhado a famosa queima de fogos na praia de Copacabana, e de também ter passado a virada acampado em um sítio, com a singela companhia de alguns amigos, garrafas vazias e estrelas, surge a questão: não existe nada no meio termo? Pois saiba que existe.

1. Visconde de Mauá (RJ)

(©Mauricio Oliveira / Trilhas e Aventuras)

Adotada por hippies na década de 70, Visconde de Mauá cultivou um pouco da aura alternativa e artística mesmo com o influxo de turistas. Ainda há muitos artesãos, cafés… e cachoeiras. São elas a atração principal: da Do Escorrega, com 30 metros de extensão, até a Do Pocinho, muito menor. As opções de hospedagem são várias, e há ótimas ofertas no AirBnb. Com a migração para o litoral que acontece no verão, a cidade fica relativamente quieta, e as comemorações de ano novo não são páreas para as que acontecem na costa, em termos de agito… O que faz desse um lugar perfeito para se começar o ano perto da natureza e com energias renovadas.

2. Praia da Ponta Negra (RN)

[©Manary Praia Hotel]

O Morro do Careca, emblemático cartão postal da praia urbana mais famosa de Natal, clama para ser descido de sandboard. Mas a tentação deve ser contida. Há cerca de uma década, os trajetos duna acima e duna abaixo foram proibidos, em nome de sua preservação. A outras tentações se pode ceder, contudo, na Rua do Salsa, onde bares e restaurantes se amontoam num labirinto eclético de músicas, comidas e estilos. Quem não quiser acompanhar a tradicional queima de fogos de artifício de Natal, realizada na virada do ano, pode ficar tranquilo: em algum dos recantos dessa rua, vai encontrar sua tribo.

3. Guarda do Embaú (SC)

[©Camping Beira Rio]

Cerca de 50km ao sul de Floripa, e distante, em essência, das festas de Réveillon ostentosas da capital e das da Praia do Rosa, fica a Guarda. Revelada ao mundo pelos surfistas, ela hoje abriga uma maioria de pescadores. A quantidade de visitantes é grande, no fim do ano. Os bares da praia funcionam madrugada afora, e o do Evori, famoso pela vista, chega a causar congestionamentos na trilha que leva até si. Ainda assim, se o agito cansar, dá pra fugir para o Vale da Utopia, ali perto, cujo nome faz jus ao cenário de conto de fadas.

4. São Miguel dos Milagres (AL)

[©Prefeitura/Divulgação]

Os chalés glamurosos e hotéis boutique de São Miguel dos Milagres atraem alguns ricos e famosos, o que não significa que não existam opções para bolsos menos privilegiados. O luxo, ainda que se desfrute, não se ostenta. O ambiente é de democracia: é normal andar de pés descalços, seja pela cidade ou pela bancada comprida que o recuo da maré traz à tona. Tornou-se um passatempo comum peregrinar por entre as pousadas, de noite em noite, atrás da melhor moqueca de peixe com leite de coco, ou qualquer outra iguaria local que se tenha a sorte de experimentar. As festas de ano novo não são poucas, e uma das que mais promete, para 2014/2015, é a Verão Absoluto, na Praia do Gunga.

5. Ilha de Boipeba (BA)

[©Boipeba.tur.br]

Há quem diga que a Ilha de Boipeba é o que o Morro de São Paulo foi há algumas décadas atrás. A infraestrutura turística que se instalou no Morro ainda não conseguiu cruzar o mar e chegar à Ilha. A praia de Moreré, provavelmente a mais emblemática de Boipeba, ostenta amendoeiras que se debruçam sobre a areia fina, compondo paisagens de videogame. As outras não são menos encantadoras. É numa delas que, de 2014 pra 2015, acontece a Mareh, festa itinerante com 6 dias de duração, orquestradas por Djs internacionais.

6. Alter do Chão (PA)

[©Tamara Saré/Agência Pará]

Desde que foi eleita pelo Guardian a praia de água doce mais bela do mundo, Alter do Chão migrou do anonimato para a lista de próximos destinos de muita gente. O vilarejo de alguns milhares de habitantes fica lotado na temporada de fim de ano, mas, ainda assim, com muito menos pessoas que você encontraria em 5 minutos de caminhada no calçadão durante a Festa da Virada em Copacabana. Os nativos costumavam organizar uma celebração com queima de fogos no local, mas, nesse ano, uma festa nova deve reivindicar os holofotes, durante o Réveillon: a Vai Tapajós, realizada por uma produtora de entretenimento com uma proposta um pouco mais intimista e menos megalomaníaca que a dos festivais comuns às praias do sul da Bahia.

7. Ilha do Cardoso (SP)

Das opções listadas aqui, a mais extrema, talvez. Na Ilha do Cardoso, ou se acampa ou se fica em pousada, e, até um par de anos atrás, não havia sinal de celular nem eletricidade no local – só um orelhão. As noites geralmente descambam para o Bar do Beto, com forrózinhos simples mas animados. Por que passar o fim de ano num lugar tão pacato, então? Bem, os 151 quilômetros quadrados de mata atlântica preservada são protegidos por um Parque Estadual, e menos de 5% da ilha é habitada de fato – o que quer dizer que há muito solo virgem pra se explorar na virada (e no resto) do ano.

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