Menos bacalhau e vinho verde. Mais embutidos e frutos do mar.

1. Peixes em lata

Por que colocar peixes e outros frutos do mar frescos dentro de latas metálicas com óleo, molho de tomates ou mesmo água salgada? Para conserva-los, claro! Sardinha em lata podem estar nas prateleiras de qualquer mercearia brasileira, mas deixe com nossos patrícios a responsabilidade de transformar esse produto barato e simples em algo belo. Há polvos na própria tinta, lulas recheadas, bacalhau em azeite. Cada marca tem suas características, mas todas trazem embalagens coloridas e caprichadas.

2. Arroz de sarrabulho

Arroz de sarrabulho e seus acompanhamentos tripas e linguiça de sangue, servido em Ponte de Lima.

Típico da região do Minho, noroeste de Portugal, esse é um prato para pessoas fortes. Leva carnes de porco, vaca e galinha misturadas ao arroz, temperadas com especiarias como cominho e canela, tudo cozido em sangue de porco. O resultado é um prato pesado e de aparência feiosa, mas aromático e delicioso.

3. Ostras

Ostras criadas em fazendas na Península de Setúbal.

Ninguém pensa em ostras quando pensa em comida portuguesa, eu sei. Essas delícias que devem ser consumidas frescas, cruas ou no forno, estão muito ligadas ao litoral francês, onde não raro são chamadas “ostras portuguesas”. Isso porque, diz a lenda, um navio português descarregou uma enorme carga de ostras no oceano próximo à França, dando aos franceses a iguaria, há séculos. No que depender dos produtores de ostras de Setúbal, a ostra deve voltar a ser estrela da mesa portuguesa, consumida crua com limão ou passada rapidamente numa grelha.

4. Cataplana de mariscos

Cataplana de Mariscos na Marisqueira Rui.

Cataplana é o nome dessa panelinha redonda com uma tampa, que vai do fogo para a mesa. E cataplana de mariscos é um dos prato mais comuns na região do Algarve, sul do país, onde frutos do mar são cozidos com tomates, azeites e temperos. Cada família e restaurante tem sua receita com toques próprios. Qualquer semelhança com a tradicional peixada encontrada em todo o litoral brasileiro não é mera coincidência.

5. Arroz

Detalhe do Museu do Arroz – que apesar do nome é um restaurante.

O Museu do Arroz, na região da Comporta, ocupa um antigo armazém com vista para os arrozais do vale do rio Sado. A estrela do cardápio é o grão, principalmente na variedade carolino, que foi levado pelos árabes durante a ocupação moura a partir do ano 711.

6. Percebes

Chamados goose barnacles em inglês, esses pequenos mariscos são pescados em uma temporada anual. Caso você dê sorte de topar com essas coisinhas de aparência pré-histórica cozidas em água salgada, não se acanhe: pegue um, rasgue no meio e chupe o recheio, sem cerimônia e sem tempero. Os portugueses gostam de dizer que percebes tem “o gosto do mar”. E tem mesmo.

7. Alheira

Alheira é uma linguiça feita com pão, temperos e carne de frango. A história é que essa era uma forma de judeus manterem sua dieta livre de suínos em tempos de perseguição. Mais leve e tão gostosa quanto outros embutidos portugueses, hoje é parte do cardápio de todo o país.

8. Pastel de Tentúgal

Os tais pastéis, ainda quentinhos, aprovados pela Associação de Pasteleiros e Comerciantes de Tentúgal.

Um dos doces com denominação de origem do país, o pastel recheado com gemas e açúcar da pequena Tentúgal esá na categoria dos doces conventuais – feitos por freiras, em conventos. A receita quase foi perdida quando o convento da Ordem Carmelita de Tentúgal, construído em 1565, fechou as portas no começo do século XX. Mas sobreviveu e hoje os pastéis são feitos apenas com produtos locais seguindo regras específicas. São deliciosos com café. Difícil é comer um só!

Nota: Gaía Passarelli viajou a convite da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia entre setembro e outubro de 2014. Visite o site da APTECE para saber mais. Todas as fotos da autora, a menos que indicado.

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