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Todas as fotos: Coen Wubbels.

Assunção, a capital do Paraguai, não deixou uma grande impressão muito na minha primeira visita. Talvez porque era o inverno mais frio na região em 80 anos e a cidade parecia deprimente. Depois que resolvemos algumas coisas rápidas, como trocar a bateria do carro, partimos para a Argentina.

Um ano depois estávamos de volta, com mais problemas de carro. Com seu sistema financeiro próprio, o Paraguai é famoso em todo América do Sul como o melhor lugar para comprar eletrônicos e pneus de carro baratos, especialmente em Ciudad Del Leste. Dessa vez o país estava ensolarado, quente e agradável. A cidade emanava relaxamento. Nossa travessia de fronteira rápida para trocar peças de carro acabou se tornando uma semana cheia de surpresas felizes.

Esse episódio ensinou que é importante dar uma segunda chance a algum lugar. O Paraguai não tem as atrações famosas dos países vizinhos, mas tem uma história e cultura que merecem ser conhecidas. E entre nossas lembranças preferidas do Paraguai estão encontros com cidadãos paraguaios, guaranis e menonitas.

1

Conhecer os murais da capital Assunção.

Nos últimos anos Assunção tem organizado competições de arte muralista, os encuentros internacionales de muralismo que resultaram num museu ao ar livre espalhado em todo o centro da cidade com tradicionais cenas rurais e expressões de arte moderna. Procure pelo parque próximo ao Palácio Presidencial e a Praça dos Direitos Humanos.

2

Visitar festivais culturais de Assunção.

A comunidade boliviana no país é grande e na segunda metade de Agosto comemora o Urkupiña Festival, com procissões exuberantes.

3

Ver o pôr do sol nas ruínas jesuíticas.

No século XVII os jesuítas construíram reducciones no Paraguai, no sul do Brasil e no norte da Argentina. A intenção era converter indígenas ao catolicismo e protege-los dos caçadores de escravos. Os jesuítas estimularam todas as formas de talento artístico resultando em uma arte que misturava símbolos guaranis tradicionais e design barroco colonial. As ruínas mais bem preservadas, incluindo Patrimônios Mundiais da UNESCO, são as missões de Jesús de Tavarangue e Trinidad de Paraná. O começo da manhã e fim da tarde são as melhores horas para visitar, quando a luz suave dá um ar de mistério às ruínas.

4

Viajar pela TransChaco.

A rodovia TransChaco está entre as menos confiáveis da América do Sul. Quando viajamos por ela pela primeira vez (leia aqui) tinha acabado de ser pavimentada e você podia até deslizar pelo asfalto de skate. Mas o asfalto novo era tão fino que não durou muito. O resultado é uma das piores estradas do continente, com buracos fundos que danificam carros e ônibus e que não raro tem trechos fechados durante as estações de chuvas. Mas se a aventura parece interessante, pegue o ônibus de Assunção para a Bolívia. Você vai passar pelo território do Chaco e por diversas colônias menonitas.

5

Visitar a colônia menonita do Chaco.

A região do Chaco foi habitada por diversas tribos indígenas que raramente sobreviveram à colonização. No começo do século XX, grandes áreas de terra foram cedidas para colônias dos Menonitas, uma ordem religiosa européia, transformando partes do Chaco em campos férteis e ranchos de gado. A colônia menonita mais conhecida fica em Filadélfia e tem e restaurantes hotéis simples preparados para receber turistas. É uma boa base para explorar as cidades da área e ter uma boa visão da vida das comunidades e da vegetação selvagem do Chaco.

6

Aprender sobe o modo de vida dos menonitas.

Os menonitas podem ter todos a mesma origem, mas suas divisões são tão variadas quanto as dos protestantes, indo de moderados a muito conservadores. Ao viajar pelo Chaco você vai ver charretes puxadas por cavalos, já que alguns menonitas não podem usar carros ou ônibus. Suas roupas e cultura são parecidas com as dos amish nos EUA.

7

Entrar na maior hidrelétrica do mundo, Itaipú.

Perto de Ciudad Del Leste, conhecida pelos brasileiros e argentinos como paraíso de compras baratas, fica a Usina de Itaipú, com um museu e uma tour de ônibus que explica a colaboração entre os três países na construção de uma das maiores obras da engenharia mundial

8

Ver a arte guarani em igrejas franciscanas.

Os primeiros assentamentos coliniais no Paraguai aconteceram no começo do século XVI. Entre os mais conhecidos estão os jesuítas, que habitaram a parte sul do país a†é serem expulsos em 1767. Menos conhecidos são as ordens franciscanas que se estabeleceram ao redor de Assunção. Sua herança é presente em igrejas pintadas de branco com interiores ricos em estilo barroco e rococó. Os altares, púlpitos e confessionários são obras de arte, entre as mais impressionantes que vimos em toda a América do Sul. As mais preservadas ou bem restauradas são as igrejas franciscanas de Yaguarón e Atyrá.

9

Entrar no ritmo de vida do interior do país.

No interior você vai encontrar estradas não asfaltadas, onde a terra vermelha é batida por carroças puxadas por cavalos. Em vilas remotas como Valenzuela, a sensação é de que você voltou no tempo. Pequenas casas de madeira, ruas de pedra e carros de boi dominam a paisagem. O tempo parece não passar para homens sentados em bacos debaixo de árvores bebendo tereré e vendo a vida seguir,

10

Ser voluntário num abrigo de crianças.

Se você faz trabalho voluntário, isso pode te interessar. O Hogar de los Niños Cristoé lar de 200 crianças, que vão de recém-nascidos aos de 18 anos. É um lugar disciplinado e cuidado por uma mulher, Patrícia, que depois de ter seus próprios filhos passou a adotar e cuidar de crianças de rua. Com o tempo, se tornou um grande projeto. Para ajudar, basta estar lá.

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Beber tereré em Assunção.

Bancas vendem essa mistura de mate com ervas frescas como menta e erva-cidreira que pode ser bebida num chifre de boi chamado guampa. Há quem use suco de laranja ou de manga no lugar da água. O tereré é a bebida ideal para o clima quente que domina a cidade.

12

Aprender sobre a cultura e história do Paraguai.

A capital tem bons museus. O Museo del Barro foca em estilos de vida indígenas e arte pré-Colombiana. O Museo Guido Boggiani fica perto de San Lorenzo e é dedicado ao primeiro pesquisador que desenvolveu um trabalho sério sobre as comunidades indígenas do Chado, no começo do século XIX. O Museo Etnográfico Dr. Andrés Barbero, acima, tem uma boa coleção de artefatos religiosos e uma impressionante mostra de urnas funerárias.

13

Ver o museu ao ar livre de Friesland.

Colônia menonita perto de Assunção, Friesland está numa estrada vicinal saindo da Ruta 3. Você pode visitar esse museu ao ar livre para aprender um pouco sobre a história dos menonitas e sua longa, árdua viagem até aqui.

14

Relaxar no lago Ypacaraí em São Bernardino.

A bonita cidade de São Bernardino, com suas ruelas sombreadas, era uma pequena vila quando o viajante alemão Guillermo Weiler chegou por lá em 1888. Ele viu potencial, construiu dois hotéis e um pequeno cais e estabeleceu um barco a vapor viajando pelo lago. Construiu um hopódromo e organizou corridas de cavalo. Todos os anos, paraguaios viajam para sua “capital de verão”, onde as águas azuis do lago Ypacaraí oferecem alívio do calor das cidades. A cidade é uma boa base para visitar colônias indígenas, onde você pode comprar ou aprender a fazer artesanato. Se você estiver procurando conforto, o Hotel del Lago é o melhor lugar para dormir.

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